E no fim, quando o meu silêncio demonstrou amor, o teu mostrou insignificância.
O mais
engraçado é que: se eu pudesse voltar atrás no tempo, viveria tudo de novo. O
coração partido e a mágoa, as lágrimas e o choro profundo, toda a dor completa
e inteiramente, só para sentir toda a alegria também, sentir o amor que nos
unia e reviver os sorrisos e abraços que carregavam tamanha promessa.
Porquê? Porque
tivemos e vivemos um amor tão brilhante. A vida, pequena, mas ainda assim
linda, que construímos juntos cheia de paixão foi tudo o que o meu eu de 12
anos sempre me pediu. Mesmo que ela tenha sonhado com um casamento, uma casa e
um futuro; mesmo que a esperança que carregava de viver muito mais, às vezes,
ainda pese; tudo o que ela queria era viver a vida ao teu lado. E ela viveu
muito mais do que achara possível, apesar dos sonhos e meios planos semifeitos.
Estes anos
incríveis e, mesmo, no mau e feio sempre segurámos a mão um do outro e
protegemo-nos e ao nosso amor. Respeitámo-nos e escolhemos amar-nos a maior
parte dos dias até que um dia um de nós decidir parar de escolher e, não apenas
escolheu não o fazer nesse dia, mas escolheu que o fim estava a começar. E a
nossa história começou a acabar.
Sempre quis
acreditar que não tomaste esta decisão num momento estável da tua vida porque
se esta foi a realidade isso ainda me magoaria e partiria o meu coração ainda mais.
Quero genuinamente acreditar, como me disseste, que estavas a carregar muita dor
e não conseguias ver nenhuma luz ao fundo do túnel. Quero acreditar que
tentaste tudo o que conseguias e podias por nós.
Quero
acreditar que conseguiríamos aguentar. Mas, no fundo, não é que não
aguentávamos mais; no fundo, não queríamos aguentar mais, talvez estivéssemos
cansados, talvez um do outro, ou simplesmente da vida e o que acabámos por
apagar da lista infinita de promessas e prioridades do dia-a-dia fomos nós.
Mas, ainda
assim, não conseguia dar mais, não o suficiente por nós os dois, e, hoje, sei
que não tinha de o fazer. Não tinha o suficiente pelos dois para nos manter a
flutuar tempo o suficiente para voltares a querer, muito menos tinha de o fazer.
Foram incontáveis chances que tivemos para mudarmos a nossa situação, para sermos
honesto e abrirmos os nossos corações. Dei-te incontáveis chances para voltares
aos meus braços, para queres voltar a voltar, para voltares a ser quem eras
para mim.
Talvez
esse fosse o problema, tu já não eras o mesmo e eu também já não era a mesmo; e
eu não queria continuar a minimizar-me para caber nem na tua vida nem nos teus
padrões e planos.
Foi, como
se a vida em si, pegasse em nós, nos transformasse sem nós querermos e, sem nos
apercebermos tornamo-nos duas pessoas completamente diferentes, duas pessoas
que já não se viam juntas, que ainda tinham algum amor um pelo outro, mas era
por versões diferentes, versões antigas, já não nos reconhecíamos e já não
reconhecíamos a vida juntos.
E peço
perdão. Desculpa por toda a dor que nos causei. Desculpa pelo quebrantamento
que nunca pensámos que viríamos a viver. E, sinto pena porque mesmo depois do
luto da vida que tivemos e da que não chegámos a ter, a minha versão de 12 anos
continua tão feliz porque vivemos um amor incrível, mas tão triste porque
deixámos esse amor morrer.
Quando era
mais nova, diria que o amor vence tudo, que é a melhor medicina; hoje, não
tenho tanta certeza, hoje tenho quase 100% certeza de que tomámos a decisão
certa, mas talvez apenas porque a vida continuou, a dor passou, a mágoa
transbordou e o amor bateu de novo na minha porta.
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