Quero
acreditar que não estou a passar por uma crise de um quarto de século, porque
depois dos últimos dois anos e meio, só quero descanso e festa, e não – acho
óbvio e canso-me de reiterar várias vezes – não quero mais noites acordadas a
olhar para o teto a tentar desvendar a vida. Já meio que desisti disso – de
tentar perceber a vida, filosofar sobre o significado de viver; não desisti de
o fazer: de viver.
Os últimos
meses tenho apenas ouvido atentamente o meu coração.
Atirei-me à
vida e aos meus sonhos como me atirei quando vim para Aveiro do nada, com seis
malas e um pequeno quarto. Quando cá cheguei o meu primo tinha um mês de vida e
amanhã, o T, já faz dois anos. E revejo muito esta minha jornada com a dele,
como já escrevi antes. Quando cheguei a Aveiro, ele era recém-nascido e agora
já fala pelos cotovelos, já me dá dores de costas e é um brincalhão de
primeira. Ele cresceu e eu também – é engraçado usar, por assim dizer, a vida
dele como medição para a minha jornada em Aveiro.
Estou a
começar a estar mais atenta a mim, e menos ao mundo à minha volta (que é
tão grande que até chega ao algarve! – podemos sair das redes sociais e voltar
a viver como os nossos avós viveram? Quando a rua mais longe que conheciam era
uma rua de uma tia do outro lado da vila e a capital mais importante de saber
era a do país em que viviam?).
Tenho prestado
mais atenção ao que dou atenção – caso faça sentido, caso não faça, bem é mais
um dos meus desvaneios (agora sou filosofa, segundo os meus amigos). O tempo
tem passado e eu observo-o atentamente. Acreditas que me custa vê-lo passar? E
não é porque faço 25 anos, é porque às vezes doí-me perceber o tempo que perdi
perdida entre as opiniões dos outros e os meus medos.
Apercebia-me
há cerca de um mês que já mais de metade do ano tinha passado. Sim, uma
conclusão ridícula a meados do final de julho. Ainda assim, deixou-me
esperançosa – não sei exatamente o porquê. É-me estranha esta sensação: uns
dias cheios de medo e outros carregados desta esperança que me parece
inexplicável, algo que me de longe não estou habituada.
Talvez seja a
vida a dar-me tréguas. A sensação de que ultimamente as coisas até correm bem.
Não que estejam sempre do meu lado, mas que no final do dia fazem sentido.
Estou
orgulhosa porque tomei um passo meu, mais um este ano!
Vou começar
uma jornada nova – e estou tão contente. Há uns meses, enquanto fazia
journaling comecei a pensar no que a Rebeca de 26, 27, 28 anos faria no meu
lugar e então, decidi ir atrás de um dos grandes sonhos que o meu coração
carrega há tanto tempo.
Sonhava como a
futura e mais crescida Rebeca não teria medo de tentar, e assumi em mim não ter
medo de tentar. O medo de falhar é diferente. Mas é como digo: se voar, voei,
se não voar, pelo menos tentei – virou o meu motto de vida os últimos
tempos.
Não tenhas
medo de tentar - é o que te quero deixar hoje.
O pior da vida
certamente será um dia solharmos para trás e pensarmos ‘tenho 50 e agora? Não
fui atrás daquele objetivo nem daquele sonho.’
Quando era
miúda e me perguntavam qual era o meu maior arrependimento, dizia com toda a
certeza “não me arrependo de nada, a vida acontece e nós vivemos o melhor
que sabemos e conseguimos” e deixava-me matutar com os meus botões se
realmente o que dizia era o que eu vivia. A realidade é que todos temos imensos
arrependimentos, só que quando os verbalizamos, tornam-se ainda mais reais.
Quero acreditar que não terei arrependimentos
quando refletir futuramente sobre o passado – todos desejamos isto, certo? – Mas
eu nem vou colocar a hipótese em cima da mesa. Ou melhor, dou sempre, desde que
me conheço como gente, o meu melhor para que o presente seja vivido e que o
futuro seja sonhado, caso faça sentido aqui. Hoje continuo a pensar como antes,
mas talvez acrescente, corrijo: “a vida não nos acontece, nós
vivemos e a vida vai acontecendo, apenas a partir dessa realização é que
começamos a viver verdadeiramente.”
É uma jornada
bonita esta de viver onde o medo do fracasso e o medo de ser percecionada andam
de mãos dadas com o medo de não tentar. Que pode ser tão bonita como feia,
porque é dura. Mas no final do dia, é completamente louca e maluca, como eu!
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