Tudo o que sempre amaste foi te emprestado

 A beleza da vida nunca esteve em ter algo – mas sim, em sê-lo.

Então, se ainda carregas dor, não tentes escapar.

Se estás perdido, não tentes acelerar o processo.

Porque o significado de viver não está no que tiveste de ultrapassar,

mas em quem eras e quem vais ser por causa dessas dores.

Não está no momento em que te perdeste,

mas no caminho que fizeste depois disso

 

A beleza da vida está no nosso processo de ser e sentir a vida inteiramente.

 

Cada momento, cada pessoa, cada situação. Apenas a vivência é verdadeiramente nossa, a experiência única que vivemos, o resto é apenas emprestado pela vida.

 

Ao crescer, acreditamos que a vida está nas coisas que possuímos e nas conquistas que conseguimos – os peluches em cima da cama, ter mais uns cromos do que o nosso amigo ou mais roupas e sapatos das Barbies, as notas na escola. Quanto mais temos, mais valor temos. Quanto maior a conquista, melhores somos.

No entanto, uma das maiores conquistas que podemos ter é a conclusão de que apenas podemos medir a vida através das vivências, experiências e jornadas que vivemos. E quanto mais rápido chegamos a esta conclusão, mais vivemos a vida. Conheço pessoas com mais de trinta anos que ainda hoje não chegaram a esta conclusão e vivem pelos parâmetros da sociedade sem felicidade, nem sequer contentamento; vivem o dia a dia pelo amanhã, apenas por viver, não para crescer, não para sentir a vida.

 

Algo de que sou mais orgulhosa em mim é que, apesar de tudo, na minha jornada para reconquistar a minha vontade de viver – aí sim, é uma conquista de verdadeira celebração – continuei a sentir e viver emocionalmente. Ou seja, não apenas a expressar-me, mas também não fugia da dor, da mágoa e do choro. Por muito que, às vezes, não fosse tão fácil sentir ou que quisesse fugir a sete pés ou que o choro não viesse durante meses, eu sentia tudo. Claro que pode ser para o bom e para o mau, mas pior – refletia recentemente na terapia –, seria se não sentisse de todo.

Um dos meus maiores medos, atualmente, é de estar apática. Porque, nesses dias, a vida parece impossível, irreal, tão difícil de viver. É como se o meu cérebro parasse, o corpo em limbo. E eu sinto que estou apenas a tentar viver. Sinto-me maluca.

Agora sei que foi o crescer em um ambiente narcisista que me vai alcançando de tempos em tempos. Traz o meu estado fligth or die, o esgotamento, a sobrevivente em mim de volta de onde a deixei descansar. E é difícil.

            São dias como estes que me fazem pensar e repensar todo o meu progresso. Dias como estes, que não fazem sentido nenhum e me fazem duvidar de mim mesma. Sinto que sou uma impostora, que não mereço a vida que construí para mim mesma, mesmo quando não está a acontecer muita coisa. Às vezes é só a sensação de não merecer a vida. E isso é o que mais me assusta.

Esse pensamento interno e aquela sensação que muitas vezes não consigo parar a tempo de acontecer. Uma mistura de medo da vida e medo da morte. E querer os dois ao mesmo tempo. Nunca fui vocal sobre isso, pelo menos não com muita gente. Só me sinto presa. Ainda há muito para desvendar, desbravar, para investigar, lidar, perdoar e nunca esquecer.

Alguns dias, sou a minha versão alegre, brilhante e risonha. Alguns dias, fico com esta grande emoção nublada e julgadora de mim mesma, nunca do mundo em si ou das pessoas à minha volta, apenas um julgamento e culpa meus. E ambas as versões são ok. Tenho tentado amar mais a segunda versão há anos. Às vezes, é mais fácil consegui-lo do que em outras.

Comecei a odiar estar apática. Eu costumava adorar. Eram os únicos momentos em que eu não me sentia ansiosa ou deprimida. Agora, sei que só estou apática quando estou a passar por um episódio depressivo. E é durante estes episódios que preciso de me relembrar de que o que sinto e vivo é apenas momentâneo, mas as experiências são as memórias que irei guardar no fundo do meu coração.

 

Por isso, vive.

Lembra-te diariamente de que a vida, não apenas é para ser vivida, como é para ser grande e memorável.

Não deixes que os dias se enrolem e passem despercebidos.

Vive intensamente.

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