“O segredo, querida Alice, é rodeares-te de pessoas que te façam sorrir o coração”
– Alice no país das maravilhas
Acredito nisto, mas também
acredito que a vida nos dá a escolher – coloca diferentes pessoas para
aprendermos não apenas a escolher, mas a lidar com tais pessoas e como elas nos
fazem sentir.
Acredito também que a
maneira como conhecemos as pessoas, a forma como elas entram nas nossas vidas, não
precisa ditar nada sobre a futura relação que teremos com elas. As
coincidências, que duvido mais e mais que existam, mas que, no fundo, parecem
fazer a mais pequena, mas ainda assim valiosa diferença. A forma como conheci a
maior parte das pessoas que guardo mais perto do meu coração foi de forma
estranha e sem nexo. Aquelas situações pelas quais ninguém dava nada. Aquelas
noites que não prometiam nada e entregaram amigos para a vida. As amizades
feitas durante o COVID que tinham tudo para dar errado. As pessoas que
conhecemos quando estamos no fundo do poço e nem queremos ninguém ao nosso
lado.
Tenho sentido uma
determinação nisto, em ponderar mais profundamente e perceber se realmente as
pessoas fazem sentido na minha vida antes de sequer lhes dar abertura. Em
perceber “se os santos batem”; se o presente se une e, ainda mais importante,
se o futuro se interliga; se a energia flui. E ouvir-me, estar atenta em como
me sinto quando estou com as pessoas.
E em Aveiro tem sido
ainda mais real, não apenas por estar mais resguardada e ter mais cuidado, mas
porque, depois de 2024, tenho uma necessidade enorme de ser real, ser livre em
mim e todos sabemos o quanto as pessoas à nossa volta podem influenciar-nos.
Perceber se o meu
coração sorri ou não tem sido fundamental. É-lo sempre, mas ainda mais depois
de tanta dor. Tenho vivido verdadeiramente o provérbio: Mais vale sozinho do
que mal-acompanhado; porque, no final do dia, as pessoas com quem te rodeias
têm tanta importância como a maneira como falas contigo próprio.
“I
think a soulmate is someone who will make you be the most “you” that you can
be”
Acredito que o amor da tua vida é
alguém que te fará trazer a versão mais pura de ti de volta.
A minha versão mais delusional
e louca apenas sai quando estou com alguém de quem realmente gosto. Em casa, quando
era pequena, não havia espaço para ser maluca, para ser eu, e isso era o que eu
mais precisava. Então, fechava a porta do meu quarto e falava sozinha, dançava,
cantava, criava a minha própria realidade – algumas pessoas têm amigos
imaginários, eu tinha toda uma outra vida na minha cabeça (talvez seja daqui
que vem a minha necessidade de escrever fição e fantasia). Quando fiz 18,
finalmente, conheci pessoas e estava mais à vontade para ser 100% eu própria,
mesmo a parte louca. Foi incrível, sentir-me livre dos pesos que a realidade
dentro da minha mente tinha criado e que se tinham tornado uma prisão mental.
Hoje em dia, escolho muito
mais a dedo com quem partilho quem sou. E deixa-me verdadeiramente feliz ter pessoas
que conheçam este lado completamente maluco meu.
Faz-me
admirar, faz-me sentir que essa parte de mim também é amável. Cura algo em mim.
Algo pequeno que vem desde a infância, de quando eu tinha de ser menos, mais
pequena, mais silenciosa, tinha de me calar e parar de brincar, parar de viver.
É
bom, não apenas voltar a viver intensamente, mas puder fazê-lo livremente. Puder
rir alto, e tomar espaço, estar presente e não apenas dentro da minha cabeça, a
sonhar com uma vida que não é a minha nem quero que seja.
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