Até às estrelas mesmo durante as dificuldades

Podemos perder o sentimento de conquista e pertença a nós próprios depois do trauma e da dor nos fazerem render a nossa vida durante algum tempo. E perdemos definitivamente a vontade de sonhar.

Quando estamos em modo sobrevivência, não conseguimos sequer pensar nos planos mais pequenos, quanto mais sonhar, mesmo que numa escala pequena. Mentalmente estamos apenas a sobreviver ao dia a dia. Estamos totalmente focados no hoje, ainda a digerir o ontem e cegos, sem sequer conseguir ver o amanhã.

 

Quanto mais tempo consegues viver assim?

 

Quando vives assim durante um tempo – e quanto mais longa for essa fase, pior –, ficas cego à vida; as oportunidades escapam-te por entre os dedos e os dias tornam-se infinitos; tornas-te uma sombra da pessoa que poderias realmente ser.

Tornamo-nos reféns da nossa própria mente, e grande parte do problema é, exatamente, esse – a nossa mentalidade. Muitas vezes, não precisamos de uma mudança enorme – como podemos imaginar –, nem precisamos de mudar de vida; precisamos de mudar a maneira como olhamos para a vida e a mentalidade por trás de como a vivemos.

Quando mudas a tua mentalidade do “até ao infinito e mais além”, tal como ouvíamos tanto nos filmes e que acabou vincado na nossa mente para ad astra per astera: é uma conquista, um verdadeiro feito, um sucesso sem medida – este passo é mais importante do que muitos outros que achamos enormes. Até às estrelas mesmo durante as dificuldades – ou seja, não precisas de voar pelo universo para ser feliz e te sentires realizado, precisas conseguir voar, mesmo que baixo, durante as fases mais difíceis.

O mito de Ícaro é muito conhecido por esta metáfora – ele voou tão alto que chegou ao sol, as suas asas de linha e cera, que ele tinha feito, desfizeram-se e derreteram, e ele caiu, sem fim, até se afogar no mar. Tal como o pai de Ícaro lhe tentou ensinar: não podemos voar demasiado baixo, que nos afogamos, nem demasiado perto do sol, senão temos o mesmo futuro que o mito.

Muitas vezes, quando melhor e mais olhamos para os nossos sonhos – os que mais queremos, os mais intrínsecos no nosso coração – percebemos que, na verdade, não são assim tão imensos, nem tão difíceis de alcançar como realmente pensávamos. Sonhamos em ser bem-sucedidos na nossa carreira – precisamos de melhorar 1% a cada dia, às vezes aguentar aquele chefe chato e continuar a aprender mais sobre a área; sonhamos em ser pais ou mães – precisamos de nos melhorar a cada dia para sermos bons/boas pais/mães, trabalhar a relação que temos agora para mais tarde ser possível realizar esse passo; sonhamos em ter uma casa – precisamos de olhar para como gastamos e tratamos dinheiro. No fundo, nenhum destes sonhos é enorme se conseguirmos dividi-los em passos mais pequenos e que são medíveis no dia-a-dia. Precisamos semear todos os dias pequenas sementes e continuar a regar para que um dia o sonho realmente floresça, sim é uma metáfora já falada e muito batida, mas quanto mais cedo percebermos a realidade por de trás da mesma, mais rápido percebemos que é real e o que precisamos de fazer para conquistar o que tanto sonhamos.

Muitas vezes pensamos que precisamos voar muito alto para alcançar um sonho, e o nosso maior medo é cair redondos no chão, o fracasso faz-nos tremer as pernas só de pensarmos que pode acontecer e o julgamento que pode vir trava-nos antes mesmo de levantarmos voo. É preciso mais coragem para tentar do que para ficar parado, mas se ficares parado não vais alcançar nada; se voares e caíres, pelo menos tentaste; se continuares a tentar, um dia vais voar e vais alcançar aquilo que tanto desejas. Ninguém nasceu a saber andar, não precisas de saber voar já. Só precisas de tentar, levantar e continuar a tentar – como quando aprendeste a andar de bicicleta.

Sonhar é assustador, isso é verdade, e torna-se cada vez mais difícil quando temos medo de o fazer ou estamos tão assoberbados pela vida que nos esquecemos de o fazer – algo que o nosso “eu” interno nos pede e chama a fazer, algo que faz parte do ser humano no seu interior mais profundo. No entanto, sonhar torna-se menos assustador quando o fazemos todos os dias, menos frustrante e menos desgastante. Torna-se uma alegria e até prazeroso. Fazer sonhos para a vida, planear o futuro, seja daqui a dois meses ou, nem que seja apenas, amanhã, não nos deixa mais cansados, como podemos imaginar, deixa-nos mais leves. Quando isto acontece, começas verdadeiramente a viver.

 

Respira e olha para as estrelas.

Não importam as dificuldades, agora tu consegues passar por elas, agora não precisas voar tão alto, não tens tanta pressão em ti. Precisas apenas de lhes tocar de vez em quando.

Acredita em ti e sonha. Sonha alto e grandemente. Sorri e ri alto. Toma o teu espaço. Diz o que pensas e ama fortemente. Sem vergonha. Sem medo.

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