"eu morri naquele dia" sem o escrever

 O meu coração partiu quando ele não tentou.

Quando vi que ele já tinha desistido.

Que estava, apenas eu, a lutar pelos dois.

Eu estava a tentar e a tentar tanto que mal respirava.

E ele já tinha parado. Há muito tempo, apercebo-me agora.

 

Tudo o que eu queria era que ele lutasse por nós.

Tudo o que o meu coração pedia dele era:

um sorriso sincero, não um triste,

um abraço aconchegante, não um de despedida

e um amo-te cheio de valor e sincero.

 

Tudo o que recebi foi:

um adeus rápido e uma noite de choro.

 

No fundo, sabia que, naquele dia, estava a começar a desaparecer por dentro. E agora que olho para trás, sabia-o desde o início do dia. Tinha amanhecido mal e porcamente, e o meu instinto dizia-me, ‘aproveita o dia, vem aí tempestade’, como se ouvisse um meteorologista a falar do tempo.

Lembro-me de pensar que o meu sexto sentido estava errado – uma vez na vida, pela primeira vez na verdade. Lembro-me de como o ignorei o dia todo, na roupa a vestir, nos caminhos a fazer e nas decisões a tomar – tudo me tinha saído pela culatra. Parecia que tinha o mundo contra mim, quando, na verdade, era eu contra mim mesma. Esse, naquele dia, foi o meu primeiro erro: não ouvir a minha intuição que gritava dentro de mim. Ela estava a ser tão chata, mas eu queria ser ainda mais chata do que ela.

Não te conseguiria dizer o porquê de me sentir assim ou o que estava a caminho. Eu não sabia quão grande seria ou quantas coisas mais pequenas iriam acontecer para que se transformasse numa grande avalanche. Eu simplesmente conseguia persentir, sentia-o internamente – o meu sexto sentido gritava-o tão, tão alto que me ensurdecia do resto. Sentia que estava há meses a preparar-me para uma guerra. E ela começou naquele dia.

Ainda não tinha tomado nenhuma decisão relativamente a ele. Não sabia o que iria acontecer. Mas quando tudo o que já tinha acontecido antes começou a encaixar-se nos eixos, não foi preciso decidir nada antes de tudo acontecer e eu ficar em casa, sozinha, sem ele e, no início, da destruição da minha vida.

            Perguntas-me: Daí em diante, sempre te ouviste, sempre seguiste a tua intuição?

E eu respondo-te: concluo todos os dias com a reflexão de se me ouvi ou não, de se algo correu mal mesmo quando eu já tinha a resposta certa, e a maioria dos dias, sim, sinto que me ouvi; alguns dias, no entanto, logo ao longo do dia, sei que me podia ter ouvido melhor. E isso é a verdade da vida: o limbo entre nos ouvirmos a nós próprios o suficiente para não apenas nos protegermos, mas vivermos a vida totalmente.

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