o amor bateu à porta, abriste?

 Quando o amor era simples

Não mais fácil, mas simples

Quando não eram precisos grandes gestos

Mas, sim, pequenos momentos sinceros

Quando todas as necessidades e limitações

Apenas clamavam por amor

Ainda assim, era um amor difícil

As pessoas nunca são fáceis de amar


Mas, era mais simples escolher

E, mais simples, amar

Às vezes, quem me dera ter nascido naquela época

Ainda amo de forma simples, nos pequenos momentos

E apenas ao sol e à luz das estrelas

Mas, hoje em dia, parece mais difícil

Mais difícil perceber se te amam de todo

 

Não estava à procura de ninguém, nem sequer estava a pensar nessa possibilidade de procurar, porque depois de tudo o que me aconteceu e com tudo o que ainda tenho no meu dia-a-dia; imagina a minha reação ao dar por mim a apaixonar-me tão intensamente e tão depressa.

Sou exagerada — sei que não é a forma correta de o dizer, mas é verdade, não sei fazer as coisas a metade, viver a vida a meias ou amar aos poucos não é comigo, ou é oito ou oitenta. Será que ainda vivo pelo meu mantra antigo? Aquele que fez com que acabasse com o meu coração partido em mil pedaços, aquele do qual eu falava a toda a gente de peito inchado: “tenho mais medo de não amar do que de acabar com o coração partido”, do estilo, prefiro viver a vida do que ficar sentada a vê-la passar. Ai, se o meu eu de oito anos me ouvisse, credo!

Durante tanto tempo, tive tanto medo de que por ter medo de um coração partido não iria encontrar amor novamente; mas, a realidade é que percebi que: com medo não chegaria a lado nenhum e com um coração partido não conseguiria viver um amor outra vez. E, aí, entrou o medo da possibilidade de quando o amor aparecesse, eu nem o conseguiria ver, nem se estivesse diretamente à minha frente, estampado na minha cara. Sim, é real, eu penso nisto!

Tive de perceber que por mais que ame esta minha nova simplicidade e vida tranquila que isto não é inteiramente eu, tinha de encontrar um equilíbrio – e o amor chegou, bateu de novo à minha porta e arrebatou a minha nova realidade toda.

E, apesar de eu fazer da vida um grande rebuliço, hoje o amor tranquiliza-me de uma forma que antes não conseguia, ou eu não deixava. Que dramática! Hoje encontra-me onde e como eu estou e não me destrui mais e quando eu faço da vida um grande rebuliço, o amor acalma a tempestade que faço num copo de água mesmo antes de a tempestade tomar forma.

Sempre tive uma fome por amor, hoje tenho ainda uma fome ainda maior, talvez por já ter vivido um amor a sério, agora o amor não me completa, agora vem abalar a minha existência inteira. 

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